31.10.2005 2:34 PM
João Flávio de Moura Leite, conhecido como João Leite, é o principal atleta goiano da atualidade. João concedeu uma entrevista exclusiva à Ética Publicidade:

Como foi que você se interessou pelo tênis e iniciou seus treinos?
Aos 12 anos de idade. Meu tio tinha uma quadra dentro de casa, no Sul de Minas. Eu estava de férias e comecei jogando sozinho. Depois de um tempo, desafiei alguns alunos dele e ganhei. Quando voltei das férias foi isso que me motivou a ter aulas e me aperfeiçoar.
E quando foi que começou a querer jogar profissionalmente? Qual é a história de sua carreira?
Comecei a treinar em Salvador, depois de chegar de férias. Fui campeão de minha escolinha e a motivação foi aumentando. Comecei a jogar as categorias de classe no clube (classes internas do Clube Espanhol em Salvador), sendo campeão de 3ª., depois de 2ª, depois de 1ª. Depois comecei a jogar os torneios estaduais, entrando na 5ª Classe Sempre jogava duas classes ao mesmo tempo. As 5ª e 4ª classes, por exemplo. Quando conseguia ser campeão da 5ª, jogava as 4ª e 3ª classes. E assim por diante. No primeiro ano em que disputei a primeira classe, em Salvador, conseguiu terminar como campeão. Tinha 17 anos de idade.
E os torneios profissionais?
Comecei a disputar torneios de qualifying em torneios satélites no Brasil. Disputei um na Colômbia e cheguei a disputar um challenger em São Luiz do Maranhão.
Sei que você não se formou no Brasil. Poderia contar isso melhor para nós?
Quando terminei o segundo grau em Agosto 96 estava com 20 anos e decidi ir aos Estados Unidos estudar na faculdade (Winthrop University - Carolina do Sul). Então veio a necessidade de jogar tênis pela faculdade, para tentar uma bolsa. Tentei diversas vezes patrocínio no Brasil e não consegui nenhum então eu dependia de conseguir essa bolsa. Saber falar inglês foi essencial nesta etapa.
Para conseguir a bolsa, fiz os challenge matches (jogos desafios que classificam os tenistas do time local) e fiquei em primeiro lugar, tanto de simples quanto de duplas. No primeiro torneio da conferência (que é o torneio mais importante da Universidade), o time foi campeão pela primeira vez na história da faculdade. Como eu era o no. 1 do time, consegui a bolsa integral.
Terminei o curso de Bacharel em Administração em Maio de 2000 e o MBA em Maio de 2002. Nesse meio tempo tive vários reconhecimentos da universidade como atleta e como estudante.
Isso quer dizer que a bolsa não dependia só do esporte, mas das matérias também?
Se não tirar nota boa perde a bolsa. Eu tinha de ter média acima de 70 no bacharel e 80 no MBA.
Como foi sua volta para a Brasil?
Voltei para o Brasil em Junho de 2002 e acabei vindo morar aqui em Goiânia, por causa do trabalho. Um primo meu me convidou para trabalhar como administrador de uma clínica. Depois trabalhei para laboratórios como o Teuto e o Halexistar.
Agora estou a procura de uma oportunidade na área de comércio exterior.
Você agora vive do tênis?
Dou aulas de tênis à noite, cheguei a dar aulas na AGT durante todo o dia e na Tenispoint (recém fechado). Agora estou voltando a dar aulas na academia do Irismar.
E quanto a patrocínios. Não tem nenhum?
Tenho um patrocínio da Athletics desde Abril de 2003, desde que cheguei em Goiânia .
A academia Athletics é uma das melhores, se não a melhor, academia de Goiânia. O atendimento é excelente, as pessoas que trabalham lá são muito receptivas e, principalmente, a academia dá um grande valor aos atletas goianos, de todos os esportes. Eles inclusive patrocinam os melhores do esporte em Goiás.
Quais são seus planos para o futuro?
Conseguir uma grande oportunidade na área de comércio exterior de Goiás, já que o Estado possui um potencial incrível e pouco explorado. Enquanto não consigo isso, continuo a dar aulas, possivelmente ajudando a contribuir para o Centro de Excelência.
Que conselho quer dar para quem inicia?
Sempre ter um objetivo em mente. Não apenas jogar por jogar.
Ninguém é campeão por acaso. Este é um lema de vida para mim.
Também aconselho os pais a não cobrar muito dos filhos nos jogos e a fazer com que os filhos parem de ter comportamentos agressivos. Tênis é o jogo mais inteligente que existe por você ter menos de um segundo para pensar onde colocar a bola, antes dela chegar em você. A vitória não depende dos pais ou da torcida. Na quadra é o atleta e a bola.
Pra criançada, aconselho a saber dividir o estudo com a prática de esporte. Porque o esporte ajuda muito na concentração para os estudos.
Quando era criança sempre fui um aluno mediano. O esporte competitivo fez com que eu melhorasse muito nos estudos. Finalmente, nos Estados Unidos, foi o esporte que fez com que eu me tornasse um excelente aluno.
Como é viver profissionalmente do tênis?
É muito difícil. Por ser um esporte individual, é muito competitivo. Você deve estar entre os 100 melhores do mundo para ser "rico", e entre os 200 para ganhar um bom dinheiro. O importante é o preparo físico.
Quão importante é o preparo físico e a técnica?
Você deve ser uma pessoa forte (resistente) e leve. Muito alongamento, flexibilidade e explosão. Preparo físico depende da técnica e a técnica depende do preparo físico. O preparo físico ajuda você a se manter no mesmo nível de competição do começo ao fim de uma partida (que pode levar de uma a quatro horas) e de nada adianta o preparo físico se você não tem a técnica para saber aplicar.
A técnica depende do preparo físico porque no caso de fadiga de nada vai adiantar você saber usar a técnica se o corpo não responde.
Você acha que os técnicos sabem dar o preparo físico?
Não, você teria de ter o preparador físico. Os técnicos sabem dar o preparo físico por alto, mas no caso de competições você precisaria ter o preparador físico.
Por isso é que meu patrocínio com a Athletics é tão importante. Lá eu tenho um treinamento completo de condicionamento físico.
O que você acha do Centro de Excelência e o que ele pode trazer para o Estado de Goiás?
O Centro de Excelência será um ícone do tênis na América Latina, trazendo para Goiás o centro das atenções desse esporte no Brasil. Espero que com isso surjam novos patrocínios para os atletas que ainda estão por vir.
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