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No
artigo anterior sobre tennis elbow, foram apresentadas
algumas dicas quanto à escolha do equipamento.
Recebi muitos e-mails pedindo dicas técnicas
para evitar ou melhorar este tipo de lesão
tão incômoda para os amantes do tênis.
Na verdade, existem dois fatores causadores de
tênis-elbow mais relevantes que a escolha
do equipamento: técnica e condicionamento
físico.
Dentre
os e-mails que recebi, percebi que a maioria dos
que têm tênis-elbow voltaram a sentir
dores após o tratamento médico e
fisioterápico. Esta reincidência
normalmente ocorre devido ao não tratamento
da causa do problema, a qual está intimamente
ligada à técnica (maneira com que
o tenista golpeia a bola). Portanto, para resolver
o problema definitivamente, não adianta
apenas parar de jogar/treinar, tratar a lesão
e voltar para a quadra com uma técnica
incorreta. Se o tenista não melhorar a
mecânica de seus golpes, o problema voltará,
ocorrendo o seguinte ciclo:
Dor
Médico --> Pausa --> Tratamento -->
Jogo
Sendo
assim, este artigo tem como objetivo oferecer
dicas técnicas que auxiliem os tenistas
que sofrem de tênis-elbow, além de
promover uma maneira de golpear a bola com maior
potência e menor esforço físico,
visando portanto a otimização.
Vale
ressaltar a importância de procurar um médico,
de preferência especializado em Medicina
Esportiva, ao primeiro sintoma de dor. Este procedimento
poderá evitar o agravamento da lesão.
Golpes de Fundo de Quadra
(ground strokes)
1.
Executar o contato raquete-bola à frente
do corpo.
Esta é uma das dicas mais comuns entre
os professores de tênis, mas vamos entender
as vantagens:
-
Facilita a transferência do peso do corpo
sobre a bola. Isso diminui a sobrecarga, principalmente
sobre o conjunto cotovelo/antebraço;
- Facilita uma ampla terminação
(follow-through) do golpe, evitando as intensas
contrações musculares causadas
pelas desacelerações bruscas;
- Aumenta a liberdade para golpear a bola na
cruzada sem a utilização exagerada
do punho. Quando o contato é atrasado,
a bola tende a sair na paralela.
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Forehand
de Hewitt
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Backhand
de Calatrava
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2.
Antecipar a preparação (backswing).
Os golpes típicos do fundo de quadra -
direita (forehand) e esquerda (backhand) - devem
seguir a seguinte ordem de movimento: 1) preparação;
2) passos de ajuste; e 3) terminação.
No
momento em que a bola tocar a sua quadra, procure
já ter finalizado a preparação.
Com isso você terá mais tempo para
ajustar a posição de seu corpo em
relação à bola, evitando
o contato atrasado que, como já vimos anteriormente,
pode causar lesões.
3.
Aumente a terminação (follow-through).
Todos os golpes do tênis possuem três
fases: 1) fase de aceleração da
raquete; 2) contato raquete-bola; e 3) fase de
desaceleração da raquete. Independente
do efeito com que você bate na bola, procure
sempre fazer uma terminação bem
ampla. Assim você terá mais tempo
para desacelerar a raquete suavemente, sobrecarregando
menos o cotovelo/antebraço.
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Terminação
curta
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Terminação
longa
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4.
Aumente o tempo de contato raquete-bola.
Aumentando o tempo de contato entre as cordas
da raquete e a bola, o "efeito
estilingue" entre elas será mais eficiente:
as cordas deformam mais e consequentemente transferem
maior quantidade de energia para a bola. Assim
você terá que acelerar menos a raquete,
"economizando" o cotovelo/antebraço.
Dica bem prática para aumentar o tempo
de contato: "bata e acompanhe a trajetória
da bola com a cabeça da raquete".
Voleio
5. Utilize o "slice" para volear.
Uma dica muito importante para o voleio é
utilizar o efeito slice, também conhecido
como "underspin". Procure "cortar"
a bola, movendo a raquete de cima para baixo,
isso aumentará a amplitude do golpe, evitando
uma brusca desaceleração. Além
disso, o efeito slice mantém a bola baixa
após o contato com o solo, dificultando
a devolução do adversário.
Saque
6. Lance a bola à frente do corpo
No lançamento da bola (toss), procure colocá-la
em um ponto a sua frente. Isso
obrigará você a "buscar"
a bola, estendendo os joelhos, quadril e cotovelo.
Desta forma você vai utilizar todo o corpo
para sacar, diminuindo a responsabilidade do cotovelo/antebraço
na execução do saque. Se você
lançar a bola acima de sua cabeça,
não poderá utilizar todo o corpo
e acabará sacando "só com o
braço".
7.
Terminação ampla
Se
você for destro, procure sacar da direita
para a esquerda, assim sua terminação
será mais ampla. Os canhotos, obviamente,
devem sacar da esquerda para a direita. Portanto,
durante a execução do saque, seu
braço dominante (que segura a raquete)
deve cruzar o tronco. Se isso não acontecer,
além de ter de desacelerar bruscamente
a raquete, você terá de flexionar
o punho (snapp) com grande amplitude. Esses dois
movimentos são altamente lesivos.
Para
Todos os Golpes
8. Utilize a empunhadura adequada
Se você utilizar uma empunhadura inadequada,
seus movimentos para golpear a bola necessitarão
de grande esforço e portanto terão
maiores chances de lesionar seu braço.
Abaixo, segue a lista das 7 empunhaduras mais
utilizadas no tênis, bem como a maneira
correta de segurá-las:
| Empunhadura |
Posição
da palma da mão em relação
ao cabo |
| Continental
|
Face
2 |
| Between
|
Entre
face 2 e face 3 |
| Eastern
de Direita |
Face
3 |
| Eastern
de Esquerda |
Face
7 |
| Semi-Western
|
Entre
face 3 e 4 |
| Western
|
Face
4 |
| Full-Western |
Face
5 |
Assim sendo, tenistas que sofrem de tênis-elbow
devem utilizar as seguintes empunhaduras:
· Direita com top spin - Eastern de direita
· Esquerda com top spin (1 mão)
- Eastern de esquerda
· Esquerda com top spin (2 mãos)
- mão de baixo (dominante): continental;
mão de cima (não-dominante): eastern
de direita
· Direita com slice - Continental
· Esquerda com slice - Continental
· Voleio de direita - Continental
· Voleio de esquerda - Continental
· Smash - Continental ou between
· Saque - Continental ou between
9.
Olhe a bola ! ! !
Parece uma dica óbvia... mas é só
ficarmos cinco minutos assistindo a uma aula de
tênis para ouvirmos o professor dizer esta
frase, talvez a mais clássica dentro do
ensino do tênis.
Apesar de óbvia, procure olhar ainda mais
a bola, a fim de acertar o "sweet-spot"
da raquete. Mas o que é sweet-spot? É
a região do encordoamento da raquete onde
ocorre a menor transferência de vibração
para o braço, além é claro,
de impulsionar mais eficientemente a bola.
Procure olhar para a bola desde o momento em que
esta toca as cordas da raquete de seu adversário
e tente "achar" a costura ou a marca
da bola. Isso vai melhorar sua concentração.
Repare como os grandes jogadores olham radicalmente
a bola:
10. Lei dos mais fortes
Procure travar o punho e utilizar mais o ombro.
Com isto, você terá as seguintes
vantagens:
§ o ângulo de contato entre as cordas
da raquete e a bola irá variar menos, aumentando
a precisão do golpe;
§ sendo o ombro uma articulação
maior e mais forte que o cotovelo, você
terá menor chance de lesões.
Bibliografia:
BRODY, H. Tennis science for tennis players. University
of Pennsylvania Press, Philadelphia, 1.989.
CARROLL, R. Tennis Elbow: incidence in local league
players. British Journal of Sports Medicine. 15(4):
250-256. 1981.
GROPPEL, J.L.; SHIN I.; THOMAS J.A; WELK, G.J.
The effects of string type and tension on impact
in midsized and oversized tennis racquets. The
International Journal of Sports Biomechanics,
3, 40-46, 1987.
PLUIM B.M. Rackets, strings and balls in relation
to tennis elbow. In: HAAKE S.J., COE A. (eds.)
Tennis Science & Technology. Oxford, London,
Edinburgh, Malden, Victoria, Paris, Blackwell
Science Ltd., pp. 389-393, 2.000.
PRIEST,J.D.; BRADEN,V.; GERBERICH, S.G. The elbow
and tennis - part 1. Physician and Sportsmedicine
8(4): 81-91. 1980a
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