Ao
assistirmos uma partida de tênis profissional, espectadores
leigos ou especialistas, um fato não pode passar
desapercebido: a precisão dos golpes e movimentos
executados pelos tenistas.
| Como
um saque pode ser tão preciso a ponto da bola
tocar o extremo interno da linha de quadra, o adversário
não conseguir rebatê-la e se atingir
um ace?
Ou
então, como se efetua um golpe de esquerda
com uma das mãos, direcionando a bola no ponto
que se quiser dentro da quadra? |
 |
Estes
tipos de habilidades motoras estão correlacionadas
com a precisão do movimento.
Segundo
o dicionário AURÉLIO, precisão é:
"(...) exatidão de cálculos; regularidade
na execução; exatidão".
Os especialistas
da área de movimento esportivo tendem a apontar dois
fatores que interferem diretamente com a precisão
no tênis. São eles: a atenção
visual seletiva e o direcionamento manual.
Atenção Visual
A visão
é considerada como nossa "rainha dos sentidos",
pois, confiamos nela mais do que os nossos outros sentidos
durante a realização de uma tarefa qualquer.
| O
tenista deve saber focar sua atenção visual
seletivamente durante uma partida. Essa atenção
visual seletiva refere-se ao fato de que o atleta deve
angular sua visão ao comportamento do deslocamento
do adversário na quadra e a trajetória
da bola. Observando atentamente o comportamento do adversário
na quadra, pode-se antecipar seus movimentos e/ou arriscar
em algumas jogadas mais ousadas. |
Na questão
da trajetória da bola, a mesma não precisa
ser observada visualmente em 100%. O importante é
focar a visão nos últimos 50% da trajetória
final da bola. Isso é conseguido através de
um treinamento de atenção visual seletiva.
Direcionamento Manual
O direcionamento
manual do movimento, objetivando a precisão
da jogada, é extremamente complexo e dependente da
sensibilidade do tenista (controle).
Inicialmente,
parece fácil empunhar uma raquete e sair por aí
rebatendo bolas. Na verdade, tal tarefa exige "precisão
espacial". Por exemplo, para rebater uma bola, você
precisa saber onde a bola se encontra no espaço,
o tempo que ela leva para chegar próximo a sua mão,
preparar-se para o golpe, posicionar sua raquete e então
rebatê-la.
Outro
aspecto do direcionamento manual que também é
importante, no que tange a precisão, é o contato
raquete-bola e a força empregada. Por exemplo, a
realização de um topspin impõe uma
velocidade de rotação na bola que influirá
na direção e no ponto de queda da bola dentro
da quadra do adversário. Situação esta
que, quanto mais treinada, melhor tende a ser efetuada com
precisão. Costumo comparar essa situação
com o golfe. No golfe, parece fácil sair realizando
um swing e bater a bola estática no chão.
Mas, não é para os principiantes.
Mesmo jogadores de golfe mais adiantados que conseguem bater
com facilidade na bola, acabam na maioria das vezes falhando
quanto ao seu direcionamento no campo.
O direcionamento
manual pode ser mais bem entendido quando explicamos a diferença
entre habilidade motora fina e habilidade motora global.
A tarefa de segurar uma caneta e escrever uma carta consiste
em uma habilidade motora fina, devido a requerer um controle
mais rigoroso na precisão de nossa mão e dedos
durante o movimento. Já, as habilidades motoras globais
estão relacionadas com tarefas ao qual a precisão
fica para um segundo plano e envolvem grandes grupos musculares
na execução, entre muitas: pular, saltar,
correr, etc. Assim, o direcionamento manual no tênis
é considerado como uma habilidade motora fina que
exige do atleta uma grande sensibilidade de controle do
movimento.
Análise Jogos
Um sistema
para melhorar a precisão dos tenistas é através
de uma análise do comportamento das quedas da bola
na quadra. Um método que venho utilizando consiste
em dividir a quadra em diversos quadrantes e, através
da filmagem do treino, analisar as repetições
de queda da bola nos quadrantes. Por meio da estatística,
isso permitiria um conhecimento da variabilidade de direcionamento
manual do tenista, além de poder criar situações
de treinamento que viessem a aprimorá-la.
Portanto,
o jogo de tênis é expresso não só
pela sua beleza e glamour das jogadas arriscadas e inéditas,
mas também na definição por meio de
golpes extremamente precisos!
Colaborou:
Adriano Vretaros, Consultor Técnico de Tênis,
é
formado em Educação Física com pós-graduação
em Bases
Fisiológicas do Treinamento Desportivo pela Escola
Paulista de Medicina - UNIFESP |